Conheça a história da Joinvilense que estuda cinema nos EUA

Catarinense de Joinville, Ester Meyer Nunes, de 22 anos, quis desbravar o mundo e estudar no exterior. Quando chegou a época de escolher onde iria cursar a faculdade, queria algo que ela pudesse usar toda a sua criatividade. Foi aí que resolveu estudar cinema na New York Film Academy South Beach

Ester

Com minha família na Rota das Cachoeiras, em Corupá, perto de Joinville

Formada em cinema desde 2019, Ester atualmente mora em Miami e lá desenvolve sua arte em uma ONG que ensina cinema para crianças, além de trabalhar num documentário que fala sobre famílias que moram em LIberty City, Miami, uma comunidade segregada em que a maior parte das pessoas mora em residências construídas pela cidade. Só que com os níveis do mar aumentando, construtoras estão de olho na cidade, querendo construir novos complexos.

 

De onde surgiu a ideia de morar fora?
Aos 10 anos de idade, visitei os Estados Unidos pela primeira vez, e quando tinha 13, me veio essa ideia de morar aqui. Amo a cultura do Brasil, mas sempre me interessei por fazer faculdade no exterior. Aprendi inglês muito nova, e por isso sempre estive mais imersa na cultura estado-unidense. Acho que por ser tão diferente do Brasil, quis experimentar por mim mesa.
Fale sobre sua paixão por cinema?
Meu pai chama cinema uma “licença para mentir”. Poder criar um mundo completamente diferente do real, escrever comédias ou histórias de terror… Você tem completa liberdade em um filme. Pode criar uma distração para pessoas ou educar elas. As possibilidades são infinitas. Ter tanto espaço e liberdade para deixar minha criatividade correr solta é muito legal. Não tem limite. Posso escrever o que quiser.
Como é o seu trabalho na ONG? O que vocês fazem, quantas crianças são atendidas?
A After School Film Institute é uma ONG que oferece cursos de cinema básico para alunos do ensino fundamental e médio depois do horário de aula. No primeiro semestre da escola, nossos alunos tem 6 semanas de aulas sobre como escrever um curta metragem. No segundo semestre, por 7 semanas, eles aprendem diferentes departamentos aspectos que fazem um filme: luz, câmera, arte… Eles são separados pelos seus interesses, então podem escolher o que querem fazer. No final das aulas, nossos alunos filmam o curta deles. O legal é que os mentores só estão lá para ajudar e guiar. Nossos alunos controlam todas as decisões criativas do filme deles. Cada ano atendemos cerca de 12 a 15 alunos.
Fale um pouco do seu curso?
O curso que fiz, na New York Film Academy, é mais acelerado e bem ‘hands on’. Tive aulas de teoria, mas a instituição acredita que para aprender cinema, é preciso fazer filmes mesmo. Durante os três anos de aula, fiz vários projetos pequenos para aprender todas as técnicas, e dois projetos maiores, incluindo minha tese. Mais do que o curso, o que foi muito bom para o meu aprendizado foram meus professores. Tive muita ajuda deles, inclusive fora da sala de aula. Tínhamos uma relação profissional muito boa que continua depois de eu ter me formado.
E o documentário como está? Falta muito para finalizar,  quando estreia? E onde irá estrear?
O documentário, o qual trabalho como assistente, está indo bem. Esse documentário é sobre famílias que moram em Liberty City, Miami, uma comunidade segregada em que a maior parte das pessoas mora em residências construídas pela cidade. Só que com os níveis do mar aumentando, construtoras estão de olho na cidade, querendo construir novos complexos.
Como é morar em Miami?
Morar em Miami é muito divertido. Me refiro à Miami frequentemente como a América Latina dos Estados Unidos. A mistura de culturas me faz sentir em casa. Fora que é uma cidade grande, então sempre tem algo para fazer: praia, parques, lojas legais…
Você mora sozinha ou com amigos? 
Moro sozinha. Às vezes fica difícil, mas tenho amigos que considero família, e que são meu suporte quando não me sinto bem.
Pretende ficar pelos EUA? 
Gostaria de ficar aqui. Gosto muito do meu emprego, de trabalhar com a ONG, e a comunidade que eu criei ao redor de mim está aqui, também. Sinto falta do Brasil, da minha família, da nossa cultura e principalmente da comida, hahahah. Mas minha vida é aqui, agora.